Um romance não sobrevive sem amor…

Amor é mais que amar…
É se entregar de coração aberto;
É viver o miolo de uma história;
É se reconhecer personagem central;
É escrever um romance a quatro mãos.

 

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Uma homenagem ao poeta apaixonado e a sua musa no #DiaDosNamorados ♥️ ♥️

Nesse domingo, talvez motivado pelo Dia dos Namorados, o Fantástico apresentou uma reportagem explicando como funcionam os aplicativos de relacionamentos. E até mostraram alguns casais que foram bem sucedidos. Então lembrei que os meus pais se conheceram por meio de uma página de relacionamentos que era publicada em uma revista dominical do Rio de Janeiro na década de 50.

Geraldo era niteroiense, vivia em Nova Friburgo. Eunice nasceu em Campos dos Goytacazes e morava em um povoado dentro da fazenda da Usina de Açúcar Sto Antônio. Um lugar chamado Kundo. Perto do fim do mundo. Assim diziam para exemplificar a distância que os separava. Lá não havia luz elétrica, ônibus, carros, escolas e nem o carteiro chegava. Os meios de transporte na região, eram cavalos, charretes, carros de bois, bicicletas e os tratores da usina que transportavam cana de açúcar.

Ela alugava uma Caixa Postal no Correio Central da cidade, para receber as cartas dos seus correspondentes. Eram ao todo 58 pessoas do Brasil, Portugal e outros países de língua portuguesa.  A frequência na troca de correspondências dependia da distância. Algumas podiam ser semanais, outras quinzenais e mensais. Se compararmos com a era da internet, naquela época a velocidade da comunicação era bem diferente. As correspondências eram sempre manuscritas e eles exercitavam a caligrafia para facilitar a leitura. Assim aconteciam os relacionamentos à distância, envolvendo pessoas de diferentes culturas.

Era um meio importante de comunicação para uma professora do interior que gostava de obter informações sobre o que se passava com a cultura e o comportamento nos lugares distantes daquele povoado em que morava. Além das cartas que os amigos correspondentes trocavam, também chegavam revistas, livros, cartões postais e fotos contando suas histórias de vida.

Eunice foi estudar na cidade com apoio dos pais. Vovô era um pai muito zeloso. Ele fez com que ela assumisse o compromisso de voltar para alfabetizar os irmãos e vizinhos que não podiam sair para estudar na cidade. Esse foi o grande mote para ela frequentar o ‘Clube de Correspondências’ publicado na revista ‘A Cigarra’. Quando voltou ao seu lugar de origem, ela percebeu o quanto vivia distante da civilização.

Papai era um poeta. Ele tinha 14 anos a mais que ela. E já fazia parte do funcionalismo público do Estado do Rio, servindo na Secretaria de Finanças de Nova Friburgo. Depois de seis meses trocando cartas ele comprou uma  passagem de trem e embarcou numa aventura que deu certo. Quando decidiu viajar para ir aos Correios de Campos, ele sabia que não sairia da cidade sem descobrir onde ela morava. E foi assim que ele apareceu na casa dos pais dela, sem avisar.

Através das cartas descobriram que um era parte da vida do outro, porque se completavam e se entendiam muito bem. Portanto logo na primeira visita ficaram noivos e no ano seguinte se casaram. Depois da cerimonia ela foi embora com ele para Nova Friburgo, tiveram seis filhos e foram felizes para sempre.

A diferença de uma página de relacionamentos em uma revista semanal publicada em 1950 para um aplicativo de internet em 2017, vai além dos milhões de usuários pelo mundo afora. O fator principal creio que se deve ao aspecto evolutivo do comportamento humano. Algumas questões, como criar vínculo de afeto e compromisso, são tão surpreendentes quanto voláteis, nos relacionamentos que acontecem atualmente por meio dos aplicativos encontrados na internet.

#LabouréLima
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Essa página foi publicada na Antologia ‘O Perfume da Palavra’ – volume IV – Edições Muiraquitã A poesia reproduz o primeiro encontro. E as fotos registram a primeira visita dele, na casa dos meus avós.

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Receita de Ano Novo… Paz e Bem!

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Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

Uma grande perda para a poesia… RIP Ferreira Gullar.

Nunca nutri simpatia pelo comunismo, mas pelas atribuições na vida literária tive que conviver com alguns autores marxistas. Um deles, publicou vários títulos por minha editora. Era um bom ensaísta, que sabia aprofundar-se nas pesquisas. Sempre muito distinto e culto, gostava de recebê-lo no escritório da editora para um café e um bom papo. Na saída, como de costume, por ser católica, eu dizia a ele: “vá com Deus”. E ouvia dele a seguinte resposta: “se Ele quiser ir comigo, eu não me oponho”.

Espero que o poeta Ferreira Gullar também não se oponha.

“Vá com Deus e descanse em paz”.

Labouré Lima

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Ferreira Gullar

Era o pseudônimo de José Ribamar Ferreira, foi escritor, poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista e ensaísta brasileiro e um dos fundadores do neoconcretismo. Foi o postulante da cadeira 37 da Academia Brasileira de Letras, na vaga deixada por Ivan Junqueira, da qual tomou posse em 5 de dezembro de 2014.

Nasceu em São Luís-MA, no dia 10 de setembro de 1930. Ele era um dos onze filhos do casal Newton Ferreira e Alzira Ribeiro Goulart.

Sobre o pseudônimo, o poeta declarou o seguinte: “Gullar é um dos sobrenomes de minha mãe, o nome dela é Alzira Ribeiro Goulart, e Ferreira é o sobrenome da família, eu então me chamo José Ribamar Ferreira; mas como todo mundo no Maranhão é Ribamar, eu decidi mudar meu nome e fiz isso, usei o Ferreira que é do meu pai e o Gullar que é de minha mãe, só que eu mudei a grafia porque o Gullar de minha mãe é o Goulart francês; é um nome inventado, como a vida é inventada eu inventei o meu nome”.

Morando no Rio de Janeiro, participou do movimento da poesia concreta, sendo então um poeta extremamente inovador, escrevendo seus poemas, por exemplo, em placas de madeira, gravando-os.

Ferreira Gullar foi militante do Partido Comunista Brasileiro e, exilado pela ditadura militar, viveu na União Soviética, na Argentina e Chile. Ele comentou que bacharelou em subversão em Moscou durante o seu exílio, mas que atualmente devido a uma maior reflexão, experiência de vida, e de observar as coisas irem acontecendo se desiludiu do socialismo e que o socialismo não faz mais sentido pois fracassou.

(…) toda sociedade é, por definição, conservadora, uma vez que, sem princípios e valores estabelecidos, seria impossível o convívio social. Uma comunidade cujos princípios e normas mudassem a cada dia seria caótica e, por isso mesmo, inviável.

Ferreira Gullar


Nunca nutri simpatia pelo comunismo, mas devido as atribuções literárias tive que conviver com alguns marxistas. Um deles, publicou vários títulos por minha editora. Era um bom ensaísta, que sabia aprofundar-se nas pesquisas. Sempre muito distinto e culto, gostava de recebê-lo no escritório da editora para um café e um bom papo. Na saída, como de costume por ser católica, eu dizia a ele: “vai com Deus”. E ouvia dele a seguinte resposta: “se Ele quiser ir comigo, eu não me oponho”.   

Espero que o poeta Ferreira Gullar também não se oponha.

“Vá com Deus e descanse em paz”.

Labouré Lima

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“Por ti, Brasil, Pátria querida.” – Papai sempre sonhou com um futuro melhor para o Brasil. Hoje, eu faço isso por ele.

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A MOCIDADE

Qual o teu destino no futuro?
Tu que trabalhas e votas;
Teu viver não é fácil, eu sei e juro,
Juventude que cresce a pedir mais cotas.

Foste da vida sempre bom ator
Rindo e chorando ao sabor da vida
Tudo isso se chamando amor
Por ti, Brasil, Pátria querida.

Enganaram-te demais, temo o teu porvir
Na enseada de choques e paixões;
És o palhaço com o Mundo a sorrir?
Não. Tens que ser o centro de novas vibrações.

Quem sabe o dia de amanhã
Conterá menos ódio e muito mais amor,
As ovelhas nos darão mais lã
Para o agasalho de mais um pastor.

(Geraldo Lima – Chinês)

Quem nunca escreveu cartas de amor ridículas?!

Todas as cartas de amor…

Fernando Pessoa

(Poesias de Álvaro de Campos)

 

Todas as cartas de amor são

Ridículas.

Não seriam cartas de amor se não fossem

Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,

Como as outras,

Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,

Têm de ser

Ridículas.
Mas, afinal,

Só as criaturas que nunca escreveram

Cartas de amor

É que são

Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia

Sem dar por isso

Cartas de amor

Ridículas.
A verdade é que hoje

As minhas memórias

Dessas cartas de amor

É que são

Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,

Como os sentimentos esdrúxulos,

São naturalmente

Ridículas.)

“Segure a minha mão…” de #HermannHesse

 

“Segure a minha mão ao pôr do sol, 

quando a luz do dia se apagar e a escuridão deslizar a sua cortina de estrelas… 

Mantenha-a apertada quando não posso viver neste mundo imperfeito… 

Segure-me pela mão… me leve para onde o tempo não existe… 

Mantenha-a apertada na vida difícil. 

Segure-me pela mão …  nos dias em que me sentir desorientada…  me cante a música das estrelas… doce canção para inspirar vozes… 

Segure a minha mão, e aperte-a bem forte antes que o destino insolente me afaste de você… 

Segure a minha mão e não me deixe ir… nunca…” 

(Herman Hesse)

************

“Tienimi per mano al tramonto,

quando la luce del giorno si spegne e l’oscurità fa scivolare  il suo drappo di stelle…

Tienila stretta quando non riesco a viverlo questo mondo imperfetto…

Tienimi per mano… portami dove il tempo non esiste…

Tienila stretta nel difficile vivere.

Tienimi per mano… nei giorni in cui mi sento disorientata…

cantami la canzone delle stelle dolce cantilena di voci respirate…

Tienimi la mano, e stringila forte prima che l’insolente fato possa portarmi via da te…

Tienimi per mano e non lasciarmi andare… mai…”  

(Hermann Hesse”)

 

Vídeo

O preço do feijão não cabe no poema.

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Não há Vagas

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pãoO funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras- porque o poema, senhores,
está fechado:
“não há vagas”

Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço

O poema, senhores,
não fede
nem cheira

Ferreira Gullar, in ‘Antologia Poética’

Imagem

Casamento #AdéliaPrado💜

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Há mulheres que dizem:

Meu marido, se quiser pescar, pesque,

mas que limpe os peixes.

Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,

ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.

É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,

de vez em quando os cotovelos se esbarram,

ele fala coisas como ‘este foi difícil’

‘prateou no ar dando rabanadas’

e faz o gesto com a mão.

O silêncio de quando nos vimos a primeira vez

atravessa a cozinha como um rio profundo.

Por fim, os peixes na travessa,

vamos dormir.

Coisas prateadas espocam:

somos noivo e noiva.

A poesia está em tudo…

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“Se eu gosto de poesia?
Gosto de gente, bichos, plantas, lugares, chocolate, vinho, papos amenos, amizade, amor.
Acho que a poesia está contida nisso tudo.”

 

Carlos Drummond de Andrade

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