E daquele romance iniciado com uma troca de cartas no ‘Clube da Correspondência’ veio o pedido de casamento com a aliança protegida entre as páginas do livro ‘Teu amor e as estrelas’…

 

Nesse 23 de outubro de 2016, se vivo fosse, ele faria 103 anos. Seu nome era Geraldo Moreira de Almeida Lima (Geraldo Lima, o poeta dos olhos puxadinhos que assinava suas poesias com o pseudônimo Chinês). Seu hobby era escrever nas horas vagas. E certamente que essa data merece uma visita afetiva a memória desse grande pai, amigo, poeta-sonetista-trovador que soube semear nos corações dos seis filhos, as suas lições de homem correto, trabalhador, culto, amoroso e dedicado à família.

meu-pai-geraldo-limaServidor público, aprovado em concurso aos 19 anos, aposentou-se como Fiscal de Rendas do Estado do Rio de Janeiro, com 49 anos de serviços prestados.

Ele não chegou a conhecer as redes sociais, mas acredito que gostaria muito. Papai tinha uma boa rede de amigos por correspondência, por isso alugava uma Caixa Postal, no Correio Central. Sendo um leitor assíduo de jornais e revistas, ele gostava de interagir com os articulistas. Sempre com muita atenção ao que realmente interessava, ele selecionava os artigos de que mais gostava e também os reprovados por seu crivo de arrazoado bom senso. Depois ele postava no correio, os seus elogios ou críticas, que iam desde cartas impregnadas de filosofia, assim como outras temperadas com a acidez natural de um leitor crítico.

Papai foi um cidadão de bem. Não gostava de se envolver em discussões ou brigas. Mas não deixava escapar a oportunidade de defender um bom ponto de vista. Ele gostava de usar uma expressão que define muito bem o sentimento dele pela escrita: “a escrita é uma arma para ser usada com clareza de raciocínio”.

E do seu grande envolvimento com a correspondência, nasceu a história de amor que ele viveu com a mamãe até o fim dos seus dias. Um casamento feliz e pontificado pelo ‘até que a morte os separe’.

A história deles começou nas páginas de uma revista semanal do Rio de Janeiro, que publicava aos domingos a seção ‘Clube da Correspondência’. E os dois tiveram a mesma ideia de enviar os seus perfis em busca de amizades com pessoas diferentes e distantes da região em que moravam, afim de conhecer outros costumes culturais.

Ele morava em Nova Friburgo, ela em Campos dos Goytacazes. E os seus perfis foram cm468m6wcaeujj5publicados na mesma edição da revista. Os dois leram, se interessaram um pelo outro, e começaram um relacionamento que duraria a vida inteira, com uma simples troca de cartas. Depois vieram as fotos, recortes de revistas, presentes e a aliança que chegou cuidadosamente envolvida pelas páginas do romance ‘Teu Amor e as Estrelas’.

Em 1951, após um ano e meio, no vai e vem das cartas, o casamento aconteceu na Catedral de São Salvador, em Campos-RJ. Ele aos 38 anos, ela com 24. Foram morar em Nova Friburgo e viveram felizes para sempre. Só a morte os separou. Ele faleceu em Niterói, sua cidade natal, em 1985. E ela, em 2010.

Essa lembrança é muito especial… Lembro que ainda na infância, mesmo antes de aprender a ler, eu gostava de folhear os seus livros… Nunca pensei que aqueles momentos mágicos dos nossos ‘encontros entre letras’ perpetuariam a presença dos livros na minha vida.

por Labouré Lima

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