Para uns CRISE é risco, para outros é OPORTUNIDADE.

Em 1991, fundei a editora Muiraquitã com um ex-colega de trabalho. Um pouco antes dessa época, em 1989, conheci Yan, um jovem idealizador e arrojado. Ele foi o pioneiro da editoração eletrônica no mercado editorial do Rio de Janeiro. Nos encontramos trabalhando na edição de um Dicionário de Mitologia Grega, contendo cerca de 1500 páginas distribuídas em 2 volumes. Uma obra primorosa do professor da PUC Junito Brandão, de saudosa memória. O editor da Vozes era o Frei Neylor José Tonin. Lembro que o departamento de arte da Vozes teve que trabalhar meses a fio para colocar os acentos manualmente, porque as fontes das letras gregas estavam incompletas. O período era de transição e tive que voltar para o jornal Gazeta Mercantil de São Paulo, onde trabalhava quando aceitei o convite do Frei Neylor para chefiar o escritório da Vozes no Rio. Era um cargo de confiança, uma secretaria geral da Vozes no Rio de Janeiro. Foi um tempo de grande aprendizado. Aos poucos fui me afeiçoando as atividades editoriais. Nos encontros diários, recebia gente famosa. Nem ouso nomear todos, foram muitos. Eram autores, livreiros, jornalistas, presidência de instituições culturais e grandes editores. E quando Yan me propôs parceria na captação de serviços de editoração eletrônica junto às editoras do Rio, o sonho de gerir a minha própria editora pulsava forte no meu coração. Mas tudo que eu tinha para começar era apenas o capital trabalho. Observando a minha história, percebo claramente que para uns CRISE é risco e para outros é OPORTUNIDADE. Desse modo começamos uma sociedade que durou 7 anos. O primeiro livro que publicamos surgiu em um tempo de crise, fruto das anotações que o Yan fazia após as nossas reuniões diárias, na fase embrionária da editora Muiraquitã. O título “Oportunidade — uma visão otimista da crise” foi lançado durante a conferência Mundial ECO—92, realizada no Rio. Quando Yan decidiu seguir outro caminho, lembro que ouvi dele na conversa em que foi anunciada a sua decisão: “estou vivendo um sonho que não é meu”. Sim, ele estava certo. O sonho era meu. Vesti a carapuça com todos os riscos e fiz o que devia fazer. Lutei pelo meu sonho. Realmente tem sido um tempo de lutas. Mas não tenho queixas. Tenho glorificado a Deus que até aqui tem me ajudado muito. Especialmente por entender como obra de Deus a presença da minha filha Raquel Ribeiro,  na Direção de Arte e Produção da editora. Depois de todos os anos em que ela esteve morando fora do Brasil, o seu retorno é o rejuvenescimento da marca da editora. Outra fonte de gratidão são os mais de 200 autores que a editora já publicou. Eles se tornaram nossos parceiros ao compartilhar o sonho de publicar suas obras conosco.  Agradeço a cada um deles, pela confiança demonstrada ao longo desses 25 anos da nossa editora.

As crises sempre existiram e existirão. Esta não é a primeira, nem será a última. Estamos vivendo um tempo conturbado na política brasileira. Mas não podemos perder de vista a esperança de que vamos sair de mais essa e voltar a crescer, como o país merece. O que entristece é a falta de respeito das ideologias partidárias. Apesar de não ter nenhuma filiação política nesse momento, posso afirmar que não sou dessas pessoas que se escondem na ‘zona de conforto’. Exponho meu pensamento. Mas, independente disso, reservo respeito aos meus amigos e a todos que sabem dialogar e expor as mais diferentes opiniões sobre esse momento de transição do governo brasileiro e a situação política em que o país se encontra. Mas não posso dizer que aceito de cabeça baixa, as reclamações entremeadas por xingamentos que estão nas redes sociais desde que surgiu o imbróglio da extinção do MINC.

Em 25 anos como editora de livros, nunca fiz captação de recursos. Compreendo que o mal uso da Lei Rouanet por um grupo privilegiado é a principal razão de tanta queixa. Penso que se a Lei atendesse aos pequenos produtores, ela poderia ser melhor aceita. A verdade é que os pequenos produtores de Cultura não têm a mesma chance de ser habilitados. A maior deficiência da Lei Rouanet fica por conta dos privilégios concedidos  aos grandes produtores ou ‘afilhados políticos’. São esses que conseguem habilitação para captar recursos. Os pequenos produtores são ‘sardinhas’ engolidas pelos ‘tubarões’.

Se a Lei Rouanet é o motivo da discórdia no MINC, então que seja revista ou extinta.

E sobre a volta do MINC tenho a dizer que os comentários maledicentes e atitudes desrespeitosas com ofensas a quem quer que se manifeste favorável, só demonstram o quanto nosso país precisa de Cultura e Educação.

Existe gente séria que trabalha com empenho e amor pela Cultura brasileira, ela é a raiz da nossa história. Essas pessoas merecem respeito. Não podem ser tratadas como ‘carneiros que vão enfileirados para o sacrifício silenciosamente’.

Não somos obrigados a compartilhar das mesmas opiniões, mas o respeito deve ser uma via de mão dupla. A soma das nossas diferenças é a maior riqueza da nossa Cultura.

Com o agradecimento sincero e o abraço carinhoso para todos que me respeitam e fazem por merecer a minha amizade.

🙏💜

 

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A tartaruga foi eleita como identidade visual da Muiraquitã por ser um símbolo ecológico do nosso tempo, com grande significado para a preservação ambiental. O outro motivo foi o lançamento do selo editorial durante a conferência Mundial Eco-92, realizada no Rio.

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