“Existe uma menina em mim que se recusa a morrer”

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“Estou aqui, sentada, com os pensamentos me conduzindo pelo mundo afora e para dentro de mim mesma, enquanto tento registrar no papel essa viagem.

Quero escrever sobre o amor – sobre o ser humano – sobre solidão – sobre a existência de uma mulher.

Quero escrever sobre um encontro, numa ilha. Um homem que mudou minha vida.

Quero escrever sobre uma mutação que foi acidental e uma outra, deliberada.

Quero escrever sobre momentos que considero dádivas, bons e maus momentos.

Não creio que minha parcela de conhecimento ou de experiência seja maior do que a de qualquer outra pessoa.

(…)

Sinto a tentação de fantasiar, fazer com que eu mesma e meu ambiente pareçam agradáveis, a fim de conquistar a simpatia do leitor. Ou de dramatizar as coisas para torná-las mais excitantes.

É como se eu não estivesse convencida de que a realidade em si tem algum interesse.

“Existe uma menina em mim que se recusa a morrer”, escreveu a autora dinamarquesa Tove Ditlevsen.

Eu vivo, me alegro, sofro, e estou sempre lutando para me tornar adulta. Mas todos os dias, porque alguma coisa que eu faço a afeta, ouço a voz da menina, lá dentro de mim. Ela, que há tantos anos era eu. Ou quem eu pensava que fosse.

A voz é ansiosa, quase sempre de protesto, embora algumas vezes débil, e cheia de expectativa e angústia. Não quero prestar atenção nela, porque nada tem a ver com minha vida adulta. Mas a voz me deixa insegura.

Às vezes, acordo com vontade de viver a sua vida, assumir um papel diferente daquele que é meu cotidiano. Eu me aconchego à minha filha ainda adormecida, sinto sua respiração cálida e tranqüila e tenho a esperança de que, por meio dela, possa tornar-me o que desejei ser.

Examinando, retrospectivamente, o que lembro dos meus sonhos de infância, vejo que se parecem com muitos que ainda tenho, mas não vivo mais como se fossem parte da realidade.

Ela que está em mim e “se recusa a morrer” ainda espera algo diferente. Nenhum sucesso a satisfaz, nenhuma felicidade a acalma.

O tempo todo estou tentando modificar-me. Pois sei que existem outras coisas bem diferentes daquelas que conheci. Gostaria de caminhar para isso. Encontrar a paz, de maneira a poder parar e escutar o que está dentro de mim, sem nenhuma influência.”

Por vezes me sinto identificada com esse pequeno trecho do livro Mutações, de Liv Ulmann. 

Fonte: UOL 

Com os agradecimentos para você Nazareth Peres ( @nazarethperes ) companheira do Twitter, que inspirou esse post 😉

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8 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Labouré Lima
    jul 27, 2015 @ 11:59:28

    É tocante, mexe com a alma da gente😍

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  2. vileite
    jul 27, 2015 @ 11:53:38

    Ótimo texto !

    Curtido por 1 pessoa

  3. Labouré Lima
    jul 26, 2015 @ 17:14:08

    👍😘🌷

    Curtido por 1 pessoa

  4. marielfernandes
    jul 25, 2015 @ 20:43:06

    Combinadão

    Curtido por 1 pessoa

  5. Labouré Lima
    jul 25, 2015 @ 00:04:31

    Obrigada🌸 Que o fim de semana seja um bom tempo de descanso✌️

    Curtido por 1 pessoa

  6. marielfernandes
    jul 24, 2015 @ 10:56:20

    Super boa, querida

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  7. Labouré Lima
    jul 24, 2015 @ 05:00:50

    Então é isso meu amigo Mariel. Boa sexta-feira👍🍀

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  8. marielfernandes
    jul 23, 2015 @ 20:53:55

    Alguém escreveu algo a respeito de Cora. Dizia mais ou menos que “um dia, alguém vai me enterrar. Não serei eu”. Que a menina continue se recusando a morrer.

    Curtido por 1 pessoa

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